Para ter acesso a lista das inscrições clique aqui
Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Publicado por galharini em março 15, 2012
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Fonte: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
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Publicado por galharini em janeiro 24, 2012
Agência UEL (23/01/2012)
A UEL abriu inscrições para candidatos às vagas remanescentes do Vestibular 2012. Vagas remanescentes são aquelas para as quais já não existem mais candidatos classificados no vestibular. Somam 399 (veja, abaixo, quais são os cursos e o número de vagas por curso).
O preenchimento dessas vagas se dará, inicialmente, com o aproveitamento do resultado do ENEM 2011, ou seja, só quem fez as provas do ENEM, e obteve uma certa nota mínima, poderá concorrer a elas neste momento. Se não forem todas preenchidas, mais tarde a UEL publicará outro edital, oferecendo-as para portadores de diploma de curso superior.
Para concorrer, os interessados deverão ter obtido resultado igual ou superior a 500 pontos na média das notas das quatro provas objetivas do ENEM, não tendo tirado zero em nenhuma delas.
As inscrições podem ser feitas até as 23 horas do dia 6 de fevereiro, unicamente pela internet, no endereçocops.uel.br/concursos/118_enem_2011. O preço público da inscrição é de R$ 50, e deverá ser pago até o dia 7. Essa também é a data limite para que os candidatos enviem para a Coordenadoria de Processos Seletivos (COPS), via Sedex, a ficha de inscrição devidamente assinada e a cópia do seu resultado no ENEM 2011.
Os critérios de classificação e desempate estão descritos no edital, no endereço eletrônico já mencionado.
Os cursos que têm vagas remanescentes são os seguintes:
Arquivologia (noturno) – 29
Biblioteconomia (noturno) – 32
Ciências Sociais (matutino) – 2
Educação Física (bacharelado – matutino) – 7
Educação Física (bacharelado – noturno) – 29
Educação Física (licenciatura – matutino) – 1
Esporte (integral) – 45
Física (licenciatura – noturno) – 16
Letras (noturno) – 15
Letras (vespertino) – 27
Letras – Língua e Cultura Francesas (noturno) – 9
Letras – Língua Espanhola e Literatura Hispânica (noturno) – 11
Letras – Língua Espanhola e Literatura Hispânica (vespertino) – 14
Letras – Língua Inglesa e Literaturas em Língua Inglesa (vespertino) – 2
Matemática (bacharelado – noturno) – 22
Matemática (licenciatura – noturno) – 25
Pedagogia (matutino) – 39
Pedagogia (noturno) – 41
Química (licenciatura – noturno) – 18
Secretariado Executivo (noturno) – 10
Zootecnia (integral) – 5
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Publicado por galharini em fevereiro 28, 2011
Resenha da Letra da Música Valsinha realizada com o 3º C – Noturno Língua Portuguesa – Professora Silmara Ausec
Valsinha
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque / Vinícius de Morais
Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
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Publicado por galharini em outubro 9, 2010
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Publicado por galharini em setembro 20, 2010
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Publicado por galharini em setembro 14, 2010
A Influência do Pensamento Mágico na Educação
Humberto Oliveira Ausec
A Educação não é termo de fácil definição, e em alguns casos precisa e um sobrenome de identificação, como por exemplo educação formal, que contrasta com a educação informal, ou então educação moral, técnica, a educação enquanto ministério (Ministério da Educação), entre outras possibilidades aqui não elencadas. Para localizar o objeto deste texto, enquanto vulnerável ao pensamento mágico, a Educação tratada será aquela que acontece nas escolas, que tem professores como agentes prioritários do processo de modificação das habilidades dos estudantes.
Localizado o escopo dos procedimentos educacionais, enfatiza-se que não caberá uma distinção significativa de faixa etária. Um individuo em nosso pais e em outros poderá freqüentar uma escola/faculdade/universidade em qualquer período da vida. No Brasil especificamente começando pela creche até num pós-doutorado.
Uma mágica, executada por um mágico, tem diferentes efeitos numa platéia. Se for em uma escola de ensino fundamental, as crianças se deslumbrarão com um coelho ou pomba saindo de uma cartola e a atenção que dispensam ao espetáculo é função de seu não entendimento. As crianças mais velhas talvez aproveitem o espetáculo de outra forma, e apesar de deslumbradas e não entendendo como aquelas coisas são possíveis, entendem uma coisa a mais que as crianças menores, que o coelho que saiu da cartola não apareceu do nada. A mágica para as crianças mais velhas está em conseguir enganá-las.
O pensamento mágico, portanto, resulta em diferentes níveis de procedimentos e envolvimento em relação à magia (ou “magia”). Procurar o dom de fazer aparecer coelhos envolve pensamento mágico e procurar aprender os truques necessários para se tornar um mágico profissional não envolve esta modalidade de pensamento.
Para as crianças mais novas, o pensamento mágico está ligado ao seu não entendimento, porém o que de fato o caracteriza é que a escola não parece insistir em procedimentos que resultem em coelhos. Para as crianças mais velhas e adolescentes a escola, apesar de não ensiná-los a serem mágicos profissionais, os deixarão, quem sabe, mais espertos pra que possam, assim como os mágicos profissionais, conseguir coisas que pareçam impossíveis. No primeiro caso a escola soa mais supérflua que no segundo caso.
Analisando um espetáculo como este que ocorreria hipoteticamente a um público assim heterogêneo, percebe-se que faz parte de um desenvolvimento esperado que as crianças, com o tempo, abandonem o pensamento mágico, talvez porque ele não faça de fato aparecer coelhos de lugar nenhum. Também porque entender de como uma luz acende e como um avião pode voar seja incompatível com certos misticismos e o pensamento mágico vá perdendo a força, o sentido.
Que fique claro que o pensamento mágico não é uma derivação direta do não entendimento, mas da ausência de procedimentos que resultem em entendimento. Para as pessoas que lêem este texto bastaria uma pesquisa na internet, uma conversa com um mágico profissional ou uma observação cuidadosa de um show de mágica para entender, tanto quanto o mágico que nada fora criado do nada.
O pensamento mágico se instala então porque faltam estratégias de aprendizagem, tais como observação sistemática, descrições precisas, busca de informações relevantes, tratamento estatísticos, argumentação lógica e que reduzam as incoerências de um sistema explicativo. Não se instala porque não se entende, mas porque não se consegue um caminho promissor de entendimento.
A ignorância de um assunto pode e resulta em duas possibilidades. A primeira delas e a aplicação de procedimentos que levem ao entendimento e a ignorância dá lugar a algum entendimento num processo sem fim chamado genericamente de ciência. A segunda possibilidade é pensar de forma mágica. Dentre uma infinidade de possibilidades explicativas possíveis, já que os procedimentos de observação do mundo não ocorrem para restringir essas possibilidades, muitas “explicações” surgem, e via de regra ficarão apenas aquelas que resultam em alguma possibilidade de controle social – um mito.
De certos procedimentos resulta a ciência, entendimento provisório, cumulativo e partilhado. Do pensamento mágico surgem os mitos, sem evidências, subjetivo, e potencialmente danoso.
As pessoas em certos casos apesar de não pensarem de forma mágica num assunto, se valem dessa possibilidade em outras. Não raro vemos as mães que sabem que o “velho-do-saco” não existe e mesmo assim usam de certa chantagem/ameaças para com as crianças. O mágico profissional também o faz mas sem ameaças, o máximo que consegue é entreter uma platéia e receber por isso.
O efeito potencialmente danoso do pensamento mágico começa a tomar corpo quando os mitos que dele decorrem sabotam a cultura pelo incentivo indireto do não entendimento. E a Educação, nos moldes definidos no inicio deste texto, nos fornecerá alguns exemplos de como isso acontece.
O pensamento mágico não afeta apenas estudantes mais novos e torna-se problemático quando estes estudantes não conseguem se livrar dele. O pensamento mágico decorre de uma inabilidade procedimental em se entender algo e não da ignorância de algo. De forma que pode ser encontrado distribuído nos estudantes, educadores, famílias, mídia, religião, amigos, mas que afetarão a forma como uma pessoa passa pela escola.
Se por um lado crianças mais novas são mais suscetíveis ao pensamento mágico, não quer dizer que as mais velhas não o sejam em outros assuntos, e que os professores em outros e assim por diante. E existindo a possibilidade, vários se aproveitarão disso mais do que combaterão isso. Apesar das mães não pretenderem seu filhos acreditando em Papai Noel por toda a vida, se valem da crença dos filhos pra conseguir algo deles perto do Natal.
No passado ataques epilépticos eram considerados possessão demoníaca. Hoje esta explicação mágica perdeu a força em função do entendimento do funcionamento do cérebro e as pessoas preferem tomar uma medicação a se expor a uma sessão de exorcismo (em todos os casos? – parece que não).
Uma criança na escola é bombardeada por alternativas aos procedimentos próprios da ciência. Estuda como o sistema reprodutor humano funciona e convive com histórias sobre cegonhas e concepção virginal; avanços da medicina e exorcismos; aulas sobre geografia e política e programas televisivos de domingo a tarde; aulas de filosofia e horóscopo; tenha uma opinião desde que seja equivalente à minha; ou pior: tenha uma opinião em vez de conhecer sobre um assunto.
São tantas as possibilidades explicativas e pseudo-explicativas que um conhecimento útil e fundamentado fica “escondido” neste mar de afirmações sobre qualquer coisa. Quem decide sobre o que uma criança na escola ou um estudante em uma faculdade devem estudar não está, por si mesmo, em plenas condições de decidir, afinal também reproduz suas formas de não entendimento com aparência de assuntos relevantes. Estar certo pode ser função mais de coincidência do que de procedimentos que fundamentem sua prática.
A educação que acontece nas escolas passa pelo pátio, pelo material didático utilizado, pela qualificação dos professores, pela postura do diretor, por políticas públicas, pelas famílias de onde vêm os estudantes. Não é sequer possível localizar numa pessoa ou classe o mérito ou a culpa de nada em educação. Mas o que é fato é que a educação afeta a vida das pessoas, as crianças não seriam os adolescentes de hoje se em parte a escola não tivesse sido o que foi. Os estudantes universitários são como são em parte pelo ensino médio que tiveram, e os profissionais são como são devido a formação universitária que tiveram ou pela formação universitária que outros tiveram.
A última frase do parágrafo anterior é especialmente importante na medida em que aponta que a escola não afeta apenas os que por ela passaram, mas se algumas pessoas hoje estão em determinados empregos, é porque alguns psicólogos tiveram determinada formação e por isso entenderam que ele poderia estar em determinada empresa ou não. Um analfabeto que vai ao medico sofre os efeitos da educação como um todo, tanto nos seus aspectos positivos quanto negativos.
O pensamento mágico, ou a falta de procedimentos para se entender algo ou excluir falsas explicações perpassam a sociedade como um todo e via de regra é usada como meio de opressão a quem pouco consegue se defender da enganação, o que nos leva a concluir que a escola em qualquer sentido, mesmo além das delimitações deste texto, também será transpassada por esta modalidade de pensamento.
Mas algumas tarefas cabem mais a uma parte das pessoas do que outras. Num mundo ideal, o irracionalismo mitológico deveria ser combatido por todos, sem exceção, mas quem está em melhores condições pra isso? A governabilidade de uma nação não melhora com o desenvolvimento intelectual das pessoas, como parece pensar os governantes que pouco investem na educação. O sistema monetário se vale da nossa ignorância de como é criado o dinheiro assim como uma criança mais velha ludibria uma mais nova trocando quantidades de notas apesar de seu baixo poder de compra.
A religião insiste no discurso que felizes aqueles que crêem sem evidências e pouco se pode esperar dela enquanto interessada em pessoas conhecendo por elas mesmas, melhor que entendam por instrução.
Nascer numa família “científica” ou “mágica” é questão probabilidade. O lugar mais apropriado e institucionalizado para o combate do pensamento mágico, se é que haja consenso que deva mesmo ser combatido, é a escola.
Neste sentido a escola é descrita como permeada pelo discurso mágico, mas deveria ser foco de resistência deste discurso. As instituições de ensino, em todos os seus níveis, deveriam se desvincular, mais que a média da sociedade, dos misticismos cotidianos e desenvolver nas crianças/jovens/adultos a habilidade de avaliarem um mundo em constante modificação, cheio de surpresas e desafios e de infinitas possibilidades.
Mas infelizmente não é assim que acontece. A escola incentiva o “achismo”. Todos têm direito a uma opinião, apesar de nenhuma obrigação em fundamentá-la. Os estudantes mais críticos o são não por causa da escola, mas apesar dela. Opiniões e crenças são elevadas ao estatus de conhecimento válido e útil arbitrariamente por uma questão de respeito às opiniões e crenças. Mas quem de fato merece respeito? As opiniões e as crenças? Ou as pessoas?
A permissividade e frouxidão argumentativa tomam a forma de diplomacia e respeito a diversidade. Assuntos importantes deixam de ser tratados para não ofender o estudante. Como ensinar reprodução em biologia sem ofender a crença de que somos trazidos por cegonhas? Ou como ensinar evolução sem ofender a crença criacionista? Como ensinar geografia sem ofender a crença de quem considere a Terra achatada?
Em nome da diplomacia e do controle social deliberado o pensamento mágico não só compõe a educação que acontece nas escolas como é reproduzido por elas. Assim com um vírus, o pensamento mágico se instala e se multiplica em procedimentos que prescindam de evidencias ou regularidades, que por sua vez aumentam a ignorância das pessoas que ficarão ainda mais inábeis em encontrar evidencias. Num círculo vicioso e pouco promissor.
Para os adeptos do pensamento mágico talvez a situação não seja tão ruim. Respeita-se a liberdade das pessoas de pensar como quiserem, a crença dá esperanças, acalma, adestra, planifica todos numa multidão de ignorantes. Quanta condescendência… Porém as pessoas só estão assim dependentes de qualquer explicação que seja por que lhe faltam os meios, os procedimentos de entendimento.
Será que se as pessoas tivessem mais acesso às pesquisas sobre como interagem os astros (astronomia) elas acreditariam em horóscopos? Quantos entre os astrônomos acreditam em horóscopo? Estudar sistematicamente um assunto, com procedimentos objetivos diminui drasticamente a possibilidade de desenvolver crenças a respeito. Só se precisa acreditar que a água endureceu no freezer até o momento em que se coloca o dedo na forma de gelo. Após isso a crença perde o sentido. Se colocar o dedo não é possível, observações sistemáticas do tempo necessário para que a água endurecesse no passado nos dão boas previsões se poderei ou não contar com gelo num determinado horário.
Em assuntos cujo procedimento que resulte em entendimento não for tão simplificado quanto o de ir até a geladeira e colocar o dedo dentro de uma forma, florescem explicações miraculosas, não porque faltem melhores, mas falta o acesso a elas. A escola, enquanto instituição de ensino não provê o acesso a informações em respeito aos estudantes. Isso mesmo?
Segundo o jornal inglês “Timesonline”, professores no Reino Unido estão evitando abordar temas como Holocausto e Cruzadas para não ofender crianças de certas etnias ou grupos. As concepções históricas em certos temas são conflitantes com aquelas ensinadas pelos pais, de forma que o conflito é evitado, mas segundo a reportagem, algumas crianças podem ficar “fora da história”.
Quando uma cultura qualquer, incluindo a brasileira comete atrocidades contra animais ou seres humanos, isso é facilmente justificado como um aspecto cultural que deva ser respeitado. Mas deve ser respeitado apenas por ser um aspecto cultural, por nada mais.
Seja desfigurando genitálias femininas na África ou sacrificando animais de forma cruel, qualquer aspecto cultural, inclusive uma crença religiosa, passa a ter um respeito imerecido apenas por ser o que é, independentemente do mal que traz consigo.
Se a escola não oferecer resistência a isso ela também não permanece neutra. Afinal seus professores e alunos não são neutros. Se a escola evitar os assuntos que sejam potencialmente ofensivos a quem quer que seja, ela não terá absolutamente nada a fazer.
Tudo é potencialmente ofensivo a alguém e apenas terão mais respeito, mesmo que imerecido, àqueles que tiverem mais poder político (-monetário).
Na impossibilidade de julgar com precisão qual é a hipótese mais plausível a ser ensinada na escola, talvez fosse mais interessante desenvolver os procedimentos de aprendizagem que deixassem os estudantes mais hábeis em conseguir fazer o que nem a escola vem conseguindo, desenvolver um entendimento do mundo mais livre de censuras.
A liberdade de opinião é importante para o desenvolvimento de qualquer pessoa, na impossibilidade de dizer o que pensa em qualquer contexto, torna-se menos provável a contribuição de outrem às próprias idéias, porém a liberdade de opinião não é um fim em si mesmo. Mas a precursora do entendimento entre as pessoas.
A tolerância hoje em voga soa como um misto de covardia e prepotência. Covardia no sentido que pouco faço para mudar um “estado de coisas”, apenas ele será tolerado. E prepotência porque nada farei para mudar meu contexto de vida, as pessoas que hão de me tolerar.
A escola abre mão dos espaços de convivência e entendimento baseado em procedimentos públicos de busca de informação, para tolerar misticismos e preconceitos arraigados na sociedade. Porém dois procedimentos parecem combater uma prática escolar (que envolve professores, governo e estudantes) de relegar à escola este papel menor de reproduzir ou perpetuar preconceitos irracionais.
O primeiro deles é a insistência aumentada nas atividades que desenvolvam um estudante crítico à luz da ciência e não do pensamento mágico, o que significa, na prática, desenvolver habilidades de busca de informação em locais apropriados, analises mais abrangentes, observação de eventos relevantes, afirmações precisas e passiveis de críticas por outros, um discurso menos vago e confuso entre outras coisas que já estão disponíveis, apenas pouco acessadas.
O segundo procedimento, afeta e é afetado pelo primeiro. A ausência de censura temática nas instituições de ensino. Na escola deve ser possível se falar de qualquer coisa. As pessoas já não discutem sexo, religião e futebol, nos seus locais de trabalho, na família, na igreja, no bar, entre outros locais, lá elas deverão se tolerar e já se toleram.
Um jogador de futebol tolera o outro de religião diferente para permanecer no mesmo time. Um religioso tolera o outro de outra etnia (nem sempre), num bar se tolera alguém bêbado e falando “mole”. Mas não se toleram todos. Uma religião não tolera um discurso religioso diferente tão facilmente, busca-se em primeira instância o convencimento, depois recorre às ameaças e até a excomunhão.
Torcidas de futebol agridem indivíduos de torcidas de outros times, pessoas não são contratadas em função de sua aparência, outras são demitidas pela linguagem que usam, outras retiradas de um time pela falta de pontaria que apresentam.
A escola deve tolerar o estudante, os estudantes devem tolerar os professores, todos devem se tolerar, mas não precisam tolerar suas crenças! Ali é o fórum privilegiado de entendimento entre as pessoas e qualquer assunto pode e deve ser discutido, sem exceção, sem exceção mesmo.
Como fazer um curso de psicologia não discutindo sexualidade humana? Ou moralidade? Ou religiosidade? Uma opinião do estudante sobre virgindade merece tanto respeito quanto sua opinião sobre a melhor marca de carro para se comprar.
Ele pode ter opinião a respeito, mas que fique claro que suas opiniões por si mesmas não afetam o desempenho de carro nenhum. Opiniões sobre qualquer assunto deveriam ser constantemente substituídas por pesquisas sobre estes assuntos e não por um procedimento ingênuo de tolerância de opiniões diferentes.
A escola pode e deve desconsiderar a opinião do estudante sobre qualquer assunto e considerar, por sua vez o estudante como alguém mais digno de consideração. Dar a ele os meios para se desenvolver intelectualmente mais do que meios de evitar conflitos. Conflitos estes que são próprios da ignorância das pessoas. A escola, portanto, pode e deve discutir qualquer assunto e fomentar os meios de entendimento, de forma que a tolerância (convivência forçada) não seja sua finalidade.
Ir à escola para não discutir coisas importantes e ainda ter que tolerar quem tem opiniões distintas. Melhor seria ficar em casa. Ou então ir a escola, discutir qualquer assunto com respeito a quem argumenta e não tolerar que o achismo dogmático impeça essa possibilidade.
Referências Bibliográficas e Bibliografia
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/education/article1600686.ece FREAN, Alexandra. Schools drop Holocaust lessons to avoid offence From The Times. April 2, 2007.
HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Tempo Brasileiro: Rio de Janeiro, 1989.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Editora Vozes, 1989.
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Publicado por galharini em agosto 26, 2010

Pintura de Marcos Maroubo
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Publicado por galharini em agosto 25, 2010
MUSEU DE ARTE PRIMITIVA “JOSÉ NAZARENO MIMESSI”
RANCHINHO (Sebastião Theodoro Paulino da Silva)
Sebastião Theodoro Paulino da Silva, conhecido como Ranchinho, nasceu às 4h do dia 7 de janeiro de 1923, na fazenda do Zeca Antonio, em Água São Bartolomeu, próxima à estrada Assis-Lutécia. Filho de José Paulino da Silva e Maria Flauzina de Jesus, naturais do estado de Minas Gerais. Não aprendeu a ler e escrever e, a única experiência escolar que ele demonstrou foi grande interesse em manipular o lápis. Por ser dispersivo, não correspondia ao mundo das palavras até que aos 22 anos de idade, o ato de desenhar já ocupava um lugar importante na sua vida.
Ranchinho chegou em Assis meados da década de 40. Nesta época começou a trabalhar com João Romeiro (conhecido como João Garapeiro), fazendo mover a manivela do carrinho de garapa. Este foi seu primeiro trabalho fixo. Perambular pela cidade sempre foi uma prática comum na vida do nosso pintor e já na década de 50 caminhava acompanhado de uma maleta, onde guardava o seu precário material para que, no momento certo, pudesse sacar do bolso o papel surrado e a caneta hidrocor e, então, mão e olhos interagissem com um objetivo: criar formas, estudar a profundidade das coisas, procurava sempre estar onde as coisas aconteciam e nos seus cadernos, rapidamente registrava os fatos que ocorriam na cidade, não de forma imparcial, sempre numa interpretação pessoal, como um cronista.
Foi descoberto pelo Sr. José Nazareno Mimessi que já era, nessa época, um apreciador das artes plásticas e estudioso, autoditada, sobre arte naif, reconheceu naquele homem maltrapilho e de andar cambaleante, Mimessi começou a incentivá-lo, comprando seus desenhos e cedendo material, enquanto ele trabalhava num dos cômodos na técnica de sua modesta casa, agora transformado em atelier. Aos poucos, seu protetor introduziu-o na técnica de guache sobre papelão que, em pouco tempo, passou a dominar com destreza. Não freqüentou galerias e museu, tampouco estudou história. Ele é autêntico autodidata. Como não sabia escrever, seu incentivador fazia-o sujar o polegar direito com tinta de carimbo para deixar a impressão digital no verso de seus desenhos, mas esta prática o incomodava. Então, Nazareno resolveu ensina-lo a escrever “Ranchinho” e, com o auxilio dos familiares, ele aprendeu a escrever, ou melhor, desenhar com letras de forma seu nome de batismo- Sebastião.Somente em 1977, após uma observação de um dos seus sobrinhos, passou a assinar seus desenhos e pinturas com seu apelido.
Ranchinho é constituído de tamanha simplicidade, assim como ignorou a formação comum à maioria dos pintores, também ignorou as transações comerciais que envolvem o mercado das artes. Ele desconhece o conceito de valor monetário e tantos outros, comuns no dia-a-dia dos artistas.
Ranchinho , em dezembro de 1971, expôs pela primeira vez três de seus trabalhos na 1ª exposição de Artes Plásticas de Assis quando recebeu Menção Honrosa. Participou de outras exposições individuais e coletivas de grande importância, como Bienal de São Paulo de 1976. Nesse mesmo ano foi tema de uma crônica de Lourenço Diaféria editada no caderno Ilustrada do Jornal Folha de São Paulo. Em 1977 foi objeto de análise de Américo Pellegrini filho em seu livro Crônica Informativa de Cinco Pintores Folclóricos. Também foi apreciado por uma das maiores crítica de arte do país, Radha Abramo, numa matéria editada no caderno ilustrada do Jornal Folha São Paulo em julho de 1985. Participou também da exposição Brasil 500 Anos na Bienal de São Paulo. Se trabalho foi tema de uma matéria escrita por Rui Moreira Leite para a revista Veja de 30 de julho de 1986. Desde então, participou de mais ou menos 20 exposições. Já pintou em média, 2000 quadros, segundo seu sobrinho Juvenil que, desde a década de 70, acompanha de perto o trabalho do tio.
Atualmente, Ranchinho é uma das pessoas mais populares de Assis; tornou-se figura folclórica; é personagem de histórias- reais ou lendárias- relatadas pelos narradores da cidade. Dizem ainda que ele se senta no mesmo lugar na igreja e, se estiver alguém, seja lá quem for em lugar, ele vai rodeando, deixando a pessoa encabulada até que a mesma devolva o seu assento.
Seus trabalhos não sofreram influencias dos meios artísticos, pois Ranchinho não teve nenhum mestre, não seguiu e nem conhece o trabalho de outros pintores. O seu aprimoramento de sua obra se deu por intermédio de sua sensibilidade visual.
Ranchinho não faz quadros por encomenda; não adianta pedir ou insistir para que desenhe isto ou aquilo, porque somente realiza o que tem sentido para ele. Dizem que, certa vez, uma pessoa bastante conhecida em Assis passou muito tempo insistindo para que ele pintasse a fachada de sua casa e ele nunca atendia o pedido.
Através da biografia escrita por Mimessi, podemos caracterizar como era o fazer artístico de Ranchinho na década de 70, quando pintava com guache sobre papel..
Pega um pincel, dá uma pincelada de uma cor, lava ele na xícara, cuja água vai ficando com todas as cores, pega outro, trabalha com uma terceira, lava o pincel no pano e vai colorindo tudo. Colorindo a esmo; não colore de fio a pavio uma figura, um objeto do quadro. Pula. Pinta ora alguma coisa da direita, depois dá um retoque, vai noutra cor, conserta aqui, reforça ali, até tapar o quadro com cores, quando então ele já está pronto.
Depois que julga que o quadro está pronto, coloca-o de pé a uma distância de um ou dois metros (…) dá uns dois ou três retoques. Faz qualquer quadro no máximo em trinta minutos, seja feio ou bonito. Interrompe-lo no momento que for, sem prejudicar a qualidade da mesma. É espontâneo e instantâneo.
Ranchinho começou a trabalhar, basicamente com guache sobre papelão, pois não tinha condições de adquirir outro material apropriado para a pintura. O reconhecimento de seu trabalho pelo publico permitiu-lhe, aos poucos, melhor sua condição de vida e, na década de 80, praticamente, realizar um grande sonho: trabalhar com tinta a óleo sobre tela.
Posteriormente, ele passou a pintar com tinta acrílica sobre chapa de eucatex forrada de algodão e, em seguida, com a mesma tinta sobre tela. Sua adaptação e seu domínio sobre este material foi tão rápido quanto com sua técnica do guache.
No caso de Ranchinho, quem prepara os suportes, as tintas e compra os pincéis é o seu sobrinho, Juvenil. Por sua vez ele pesquisa; guarda recortes de jornal, revistas e fotografias, que despertam nele algum interesse e que, eventualmente, possam vir a ser motivo de um estudo. Além disso, conhece muito bem as exigências e os segredos da matéria-prima de seu trabalho.
Como mencionamos acima, Ranchinho pinta sempre à noite.
Como podemos constar, Ranchinho não segue nenhum estilo a não ser aquele que ele próprio criou, e esta é uma das características da arte naif.
Referência bibliográfica: Silva, Marta Dantas da. De olho no passado: A pintura de Ranchinho. Assis/SP, 1997.
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Publicado por galharini em agosto 25, 2010
Na tarde de 25 de agosto de 2010 os alunos das series 7ª B e 7ª C do Ensino Fundamental II visitaram o Museu de Arte Primitiva em Assis. Foi uma visita muito proveitosa e fomos recepcionados pelo senhor Marcos Maroubo, que carinhosamente atendeu aos nossos alunos e nos forneceu o material contendo a parte histórica da criação do museu. Os estudantes ao final da visita receberam uma prancha contendo papel em branco e lápis para retratarem as obras que mais lhe chamaram a atenção e os mesmos realizaram a atividade com prontidão e alegria. Ao final da atividade proposta foi recolhido o material e entregue à recepção do Museu. Na visita estavam presentes os professores Kleber (Arte), Roberto (Sociologia) e Silmara Ausec (Inglês) .
MUSEU DE ARTE PRIMITIVA “JOSÉ NAZARENO MIMESSI”
Museu de Arte Primitiva de Assis “José Nazareno Mimessi”
O Museu de Arte Primitiva de Assis, teve sua origem, quando José Nazareno Mimessi , doou para a Prefeitura Municipal de Assis, em 28 de janeiro de 1.983, de sua coleção particular, duzentas e quatro obras de artistas primitivistas, dos quais, cem, eram do artista primitivista Ranchinho, que ele descobriu e revelou ao Brasil e ao Mundo.
José Nazareno Mimessi, tornou-se um cidadão extremamente interessado e apaixonado pela arte primitiva. Essa paixão, fez com que Mimessi se correspondesse com pintores, museus, críticos de arte primitiva, de todo o Brasil. Assim, pode documentar, de uma certa forma, a vida desses pintores. Em 1991, esse material foi doado ao CEDAP – Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa, da Unesp de Assis.
Atualmente, o Museu, denominado Museu de Arte Primitiva “José Nazareno Mimessi”, possui aproximadamente, mil e quinhentos e nove obras (pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas, etc), e figura entre os maiores na área de Arte Primitiva.
Está localizado em um Parque Ecológico, Parque João Domingos Coelho – conhecido como Parque do Buracão -, na Rua Antonio Zuardi, 895, e funciona, em prédio próprio, de 517 m2 de construção, inaugurado em 26 de setembro de 1.999, patrocinado pela Telesp, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O museu possui três salas, sendo duas para exposições temáticas temporárias e uma permanente, contendo somente, obras de artistas primitivos. Estas salas e a reserva técnica são climatizadas.A importância e a qualificação do Museu de Arte Primitiva “José Nazareno Mimessi” tem sido enfatizada por críticos como Roberto Rugiero, Antonio do Nascimento e artistas de renome, como por exemplo, Waldomiro de Deus, José Vieira Madalena, Zica Bergami, entre outros. Entre os artistas cadastrados destacamos os precursores da arte naif, Heitor dos Prazeres, Djanira, como também os primitivistas, Poteiro, José Antonio da Silva, Ranchinho, Chico da Silva, Maria Auxiliadora, Zica Bergami, José Vieira Madalena, Eliza Mello, José Coimbra, Bajado, e muito mais.
Horário de Funcionamento:
Terça-feira a Sexta-feira: 8 às 11h e das 13 às 18h
Sábado: 8 às 11h e das 13 às 17h
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Publicado por galharini em junho 4, 2010
CONHECENDO O MAI
O MAI abriga atualmente um riquíssimo acervo indígena pertencente à Nação Guarani. São aproximadamente 30.000 peças, entre peças inteiras e fragmentos de cerâmica produzidas pelos Guarani há mais de mil anos no território onde hoje se encontra o município de Iepê.
Além disso, o MAI abriga quatro peças (03 potes de cerâmica e 01 Machadinha em pedra polida) dos índios Kaingang, que também passaram pela região, porém, há menos tempo, cerca de 400 anos atrás.
Por fim, existe também no Museu um acervo de pedras lascadas com mais de cinco mil anos, pertencente às diversas tribos indígenas que habitaram o território brasileiros há milhares de anos.
O acervo encontrado no MAI está composto de recipientes de cerâmica inteiros, fragmentos de vasilhas cerâmicas, lâminas de machado de pedra, fragmentos de lâmina de machado, vasilha esculpida em pedra, polidores, mãos-de-pilão, pontas de flechas, boleadeiras, virotes, tembetá (enfeite labial), potes cerâmicos, pedras lascadas e polidas, utilitários em geral e urnas funerárias, entre as quais, está a maior urna funerária indígena Guarani do Brasil com 1,16 m de diâmetro.
Entre o acervo dos sítios localizados em Iepê, que conta com aproximadamente 30 mil peças guardadas em Reserva Técnica, estão alguns artefatos procedentes de áreas pertencentes aos municípios de Nantes, Taciba, Campinas, Luiziânia e também de outras localidades.
Além das peças em pedra lascada que possuem de cinco a sete mil anos, alguns artefatos do Guarani abrigados no MAI, que constituem a maioria do acervo, foram datados de 205 d.C.
Os índios, ao contrário do que muitos dizem, não eram preguiçosos ou relaxados, pelo contrário, trabalhavam duramente plantando raízes e leguminosas, praticando a pesca e também aproveitando os recursos que eram oferecidos pela natureza. Eles faziam farinha com a mandioca e o milho, costumavam também fermentar bebidas, principalmente extraídas da mandioca.
As atividades domésticas como cuidar das crianças, da manutenção das ocas e da alimentação eram tarefas das índias. Outra atividade exclusiva das mulheres era a confecção de cerâmica. Elas confeccionavam diferentes tipos de vasilha, segundo suas finalidades: potes de vários tamanhos, tigelas, pratos ou assadores. Geralmente, a superfície da cerâmica era decorada com motivos pintados ou com relevos diversos, realizados com as pontas dos dedos (cerâmica corrugada), com as unhas (cerâmica ungulada), com espinhos (cerâmica incisa) ou de outras maneiras.
A fonte de matéria-prima utilizada na confecção da cerâmica Guarani eram as argilas plásticas. Essas argilas, geralmente, situavam-se na base das colinas, nos afloramentos aluviais. Para melhorar a plasticidade da argila, as oleiras adicionavam fragmentos de cerâmica moídos. A cerâmica era produzida pela técnica de acordelamento e queimada em fogueiras a céu aberto.
Os índios Guarani gostavam muito de festas e tinham seus ritos próprios. Gostavam também de se pintar e de usar adornos como brincos, braceletes, pulseiras, colares, cocares etc. Eles costumavam festejar quando nascia e quando morria um novo índio.
Existiam dois tipos de sepultamento, o primário e o secundário. O sepultamento primário era apenas para o cacique e o pajé, que eram sepultados inteiros em urnas grandes como a que está abrigada no MAI. Quando eles morriam eram colocados na posição fetal, amarrados com cipó e tinham seus corpos pintados. Junto ao corpo era colocado dentro da urna funerária também enfeites, alimentos e vasilhames, pois acreditavam na vida após a morte e imaginavam que o índio necessitaria destas coisas durante sua transição para a outra vida. Em seguida, realizavam o rito de passagem e sepultavam em uma cova como costumamos fazer hoje.
O sepultamento secundário era para os demais índios, que quando morriam eram primeiro sepultados direto na terra, em uma cova bem rasa, que era por sua vez regada todos os dias para que a carne apodrecesse mais rápido e ficassem apenas os ossos. Passado um certo período, eles retiravam a ossada do índio morto, pintavam esses ossos e procediam o mesmo rito de sepultamento do cacique e do pajé, só que usando agora urnas funerárias menores.
Os sítios arqueológicos estão localizados no município de Iepê, através da IEP – 368.
Seu reconhecimento foi devido aos resultados do trabalho de campo realizado pela equipe de pesquisa da Arqueóloga Profª Dra. Neide Barroca Faccio da FCT/ UNESP, realizados a partir de 1991. Segundo a arqueóloga, encontra-se no município, o maior sítio arqueológico pré-histórico pertencente à tradição ceramista Tupi-guarani do país. Dos 16 sítios existentes, já foram escavados 12:
Os sítios em estudo são aqueles em que os ceramistas ocuparam, onde não foram atingidas pela cota de inundação, e também os parcialmente destruídos, que estão dentro das cotas de inundação.
Os sítios de menor porte são aqueles que não estão dentro da área de inundação, sofrendo assim, alterações devido às constantes mudanças no nível das águas, que provocam retrabolhamento (processo erosivo) das camadas estratigrafias que contém vestígios arqueológicos.
Deste modo, a maioria dos vestígios encontrados, estão destruídos, fora de sua posição original, ou misturados a outras peças de conhecidas. Devido desde a erosão das camadas estratigráficas que transporta e deposita o material arqueológico em ordem diversa, ou ainda o uso crescente do subsolador para adubagem que tritura-os, deixando escondidos no solo.
A partir das pesquisas arqueológicas realizadas no município surgiu a necessidade da criação de um espaço para guardar, preservar e divulgar o acervo arqueológico indígena Guarani do município. Desta forma, pela Lei Municipal n.º 080/2000 de 10 de janeiro de 2000 foi criado o Espaço Cultural Armando Cavichiolli e Museu do Índio de Iepê, inaugurado aos 30 de junho de 2000 no antigo prédio onde funcionava o Bar do Armando. A escolha do local justifica-se porque na década de 50 o Sr. Armando Cavichiolli montou o Bar e Restaurante Seleto, considerado o ponto de encontro da época que, além do mais, oferecia a melhor refeição da localidade. O proprietário, ao longo de sua vida, guardou peças, móveis, discos, livros, revistas, jornais, documentos, fotos de valor histórico etc. Pode-se dizer que ele era um estudioso e, por isso, sempre era procurado para dar informações sobre os mais diversos assuntos. Todos esses motivos justificaram a escolha do local para a instalação do Espaço Cultural e Museu do Índio, que tem como objetivo a preservação da memória local, através de seu resgate histórico e arqueológico. No início de 2006 o Museu foi desativado, porque o prédio onde estava instalado começou a apresentar problemas, como goteiras, e o acervo ficou guardado no prédio do Sr. João Zago, na Rua Minas Gerais, até junho de 2007.
O Museu foi reinaugurado em um novo prédio, de propriedade da Prefeitura Municipal de Iepê, localizado na Rua Minas Gerais nº 458, aos 24 de junho de 2007. Seu nome foi mudado pela Lei Municipal Nº 247/07 de 23 de fevereiro de 2007, passando a se chamar Museu de Arqueologia de Iepê (MAI), porque o acervo do museu é constituído em sua maioria por acervo arqueológico e não etnográfico.
O MAI tem por objetivo levar à comunidade, em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologia/UNESP e o Museu de Arqueologia e Etnologia/USP os conhecimentos produzidos no âmbito da pesquisa arqueológica sobre a pré-história regional do Vale do Paranapanema (SP).
O Museu desenvolve atividades sobre a temática indígena em Escolas Estaduais, Municipais e Privadas de toda a região de Assis, Presidente Prudente e também de outras regiões. São oferecidas atividades pedagógicas como, por exemplo, a Oficina “A hora do Conto”, sob coordenação da Profa. Dra. Neide Barroca Faccio e do Prof. Dr. Luis Barone, o I e o II Encontro de Educadores no Município de Iepê, com capacitação para 150 professores da Rede Pública, visitas monitoradas aos alunos da Escola Estadual Antônio de Almeida Prado, nas aulas de Geografia, visitas monitoradas aos alunos do Ensino Fundamental do município e região, além de receber universitários e pesquisadores nos sítios arqueológicos e turistas que se interessam pela arqueologia e pela história. Todas as atividades desenvolvidas pelo MAI acontecem em parceria com a FCT-UNESP de Presidente Prudente, representada pela arqueóloga e curadora do Museu de Arqueologia de Iepê Dra. Neide Barrocá Faccio e com a Universidade de São Paulo, representada pelo Dr. José Luiz de Morais, Diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.
Iepê, 24 de fevereiro de 2010.
Paulo Fernando Zaganin Rosa
Coordenador do MAI
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